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Saúde e Doença
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INFECÇÕES URINÁRIAS (IU)

Definição de IU

As IU são infecções que afectam os órgãos que produzem a urina e a expelem do corpo: o Os 2 rins com os ureteres, a bexiga e a uretra. Existem 3 tipos de infecções, dependendo da localização:

  • Pielonefrite: é uma infecção muito grave do aparelho urinário. Localiza-se nos rins, após as bactérias terem migrado da bexiga para os rins, passando pelos ureteres.
  • Cistite: esta infecção da bexiga é de longe a IU mais comum e atinge principalmente as mulheres. A infecção é geralmente causada pela proliferação das bactérias intestinais Escherichia coli. Estas bactérias propagam-se do ânus à uretra e à bexiga onde se multiplicam, invadindo os tecidos e causando infecção.
  • Uretrite: esta infecção é limitada à uretra (o canal que transporta a urina para fora da bexiga). Geralmente é uma doença sexualmente transmissível, que ocorre frequente no sexo masculino, mas também pode atingir o sexo feminino. A uretrite pode ser causada por diferentes patogénios, mas o mais frequente é a Clamídia e o Gonococo (a bactéria que causam a gonorreia).

Frequência das IU

As mulheres têm muito maior probabilidade de sofrer de IU do que os homens. Aproximadamente uma em cada três mulheres de 24 anos já sofreu pelo menos uma IU que necessitou de terapêutica antibacteriana e cerca de metade de todas as mulheres sofre pelo menos uma IU ao longo da sua vida. Aproximadamente 20% das mulheres que têm uma IU terão outra e 30% destas terão mais uma. Destas últimas, 80% terão recidivas. As IU recorrentes são normalmente definidas como a ocorrência de 3 infecções urinárias nos últimos 12 meses ou 2 nos últimos 6 meses.
Entre 2 a 4% das mulheres grávidas desenvolvem uma IU.
Nas crianças, o risco de sofrerem uma IU durante a infância é de 3% no sexo masculino e 8% no sexo feminino.
Nos idosos, as infecções genito-urinárias representam cerca de 25% das infecções que lhes são diagnosticadas.
Nos doentes com catéter urinário, as IU são a infecção mais frequentemente adquirida nos hospitais e lares de terceira idade, que é responsável por mais de 1 milhão de casos por ano nos EUA.
Nos doentes com lesões da espinal medula, na maioria dos casos do sexo masculino, as IU são muito comuns e surgem frequentemente acompanhadas de complicações.

Sintomas de IU

Os sintomas comuns são :

  • Dores, desconforto ou sensação de ardor durante a micção
  • Necessidade urgente de urinar
  • Micção anormalmente frequente durante o dia
  • Acordar durante o sono para urinar
  • Urina turva, suja ou com odor anormalmente intenso e por vezes sangue
  • Dor, pressão ou sensibilidade anormal na região da bexiga (linha média acima ou próximo da região púbica)

    e nas crianças:
  • Queixas ou choro durante a micção
  • Enurese nocturna numa criança que normalmente não tem esse problema

    E no caso de a infecção ter atingido os rins:
  • Dores nas costas ou na região média-superior das costas
  • Febre, com ou sem arrepios
  • Náuseas e vómitos

Diagnóstico das IU

São diagnosticadas sem dor com uma simples análise de uma amostra de urina. Após lavar a zona genital, colher uma amostra do jacto médio da urina para um recipiente estéril que o seu médico lhe terá previamente disponibilizado. Este método evita que as bactérias da zona genital entrem na amostra e alterem os resultados da análise. A amostra é analisada no consultório do seu médico ou enviada para um laboratório com vista à identificação do germe responsável pela infecção, incluindo a sua concentração na urina e a ocorrência especialmente de glóbulos brancos e vermelhos. Já é possível analisar a urina para detecção de IU em casa com um kit de análise doméstico, mas o método de colheita deve ser o mesmo que o descrito acima.

Indivíduos em risco de IU

  • Do sexo feminino, especialmente as mulheres sexualmente activas. A incidência da infecção é 50% mais elevada do que no sexo masculino. Um factor que explica esta diferença pode ser o facto de a uretra feminina ser curta, permitindo às bactérias o acesso rápido à bexiga. A abertura uretral feminina também está situada próximo de fontes de bactérias do ânus e da vagina, o que facilita a contaminação bacteriana.
  • As mulheres grávidas devido à pressão exercida pelo bebé no sistema urinário e também às alterações hormonais associadas à gravidez.
  • Em certas mulheres que usam um diafragma como método contraceptivo, a uretra pode ficar comprimida, dificultando o esvaziamento completo da bexiga e, consequentemente, favorecendo as infecções da bexiga.
  • Algumas mulheres que usam anticoncepcionais como os espermicidas podem desenvolver uma uretrite.
  • Os homens com hiperplasia prostática benigna, dado que a próstata dilatada comprime a uretra, o que diminui o fluxo urinário e impede o esvaziamento completo da bexiga, favorecendo a proliferação de germes.
  • Os diabéticos, devido ao seu elevado nível de açúcar no sangue, que favorece o crescimento bacteriano, e à sua maior susceptibilidade às infecções devido a alterações do sistema imunitário.
  • As crianças e os adultos com uma anomalia estrutural do aparelho urinário ou cálculos renais que obstruem ou diminuem o fluxo urinário.
  • Indivíduos com catéter ou sonda na uretra e na bexiga, que facilitam a contaminação bacteriana.

Custos das IU

São uma carga pesada em termos de

  • Custos directos : médicos, terapêuticas antimicrobianas e outros tratamentos, bem como internamentos
  • Custos indirectos : os relacionados com o absenteísmo laboral

Aproximadamente 11,3 milhões de mulheres nos EUA sofreram 1 ou mais presumidas IU agudas adquiridas na comunidade, que necessitaram de terapêutica antimicrobiana, com custos directos estimados em 659 milhões de dólares e custos indirectos de 936 milhões de dólares (1995). No que se refere às IU nosocomiais, o seu custo está estimado em aproximadamente 440 milhões de dólares por ano.

Prevenção e tratamento das IU

Existem várias abordagens diferentes:

  • Medidas preventivas de carácter geral
    • Beber vários copos de água por dia. Os líquidos impedem o desenvolvimento das bactérias, ao lavar as vias urinárias. Beber sumo de arando ou tomar suplementos de vitamina C também pode travar o crescimento bacteriano.
    • Urinar quando a necessidade surgir, não resistir à urgência de urinar.
    • Tomar duche em vez de banhos de imersão
    • Depois de defecar, limpar da frente para trás para evitar a propagação das bactérias intestinais do recto às vias urinárias na mulher.
    • Se possível, as mulheres devem lavar a zona à volta dos órgãos genitais antes de terem relações sexuais. Urinar depois das relações sexuais ajuda a expelir as bactérias da bexiga.
    • Evitar usar aerossóis para a higiene feminina e duches perfumados, que podem irritar a uretra.
  • Medidas preventivas farmacológicas
    • Extracto bacteriano imunoestimulador que reforça as defesas imunitárias, contribuindo para diminuir a frequência, duração e gravidade das infecções das vias urinárias. Esta terapêutica não tem risco de desenvolver resistência bacteriana como sucede com vários antibióticos, tornando-os ineficazes contra as infecções bacterianas.
    • Actualmente não existe no mercado nenhuma vacina para prevenir as IU, mas estão em curso estudos nesse sentido.
    • Em alguns doentes com IU frequentes (mais de 2 infecções por semestre), podem ser prescritos antibióticos como prevenção. O antibiótico pode ser administrado diariamente, em dose baixa, durante 6 meses ou mais, em toma única após as relações sexuais, ou durante 1 ou 2 dias quando os sintomas surgirem.
  • Tratamentos
    As IU são geralmente tratadas com rapidez e facilidade através da administração de fármacos antibacterianos. A escolha do antibiótico e a duração da terapêutica depende da história clínica do doente e dos resultados da análise à urina que identifica as bactérias invasoras. Os sintomas normalmente desaparecem nas primeiras 24 a 48 horas. É muito importante cumprir exactamente as instruções médicas até ao fim da terapêutica para evitar o aparecimento de estirpes de bactérias resistentes. Se o antibiótico prescrito não for eficaz após 48 horas, o médico deve ser informado para poder prescrever um antibiótico diferente. Também pode ser administrado um extracto bacteriano imunoestimulador para estimular o sistema imunitário do doente. Este fármaco imunoterapêutico provoca uma diminuição da duração, gravidade e frequência das infecções das vias urinárias, mas não ao aparecimento de estirpes de bactérias resistentes.


A informação médica apresentada neste site não pretende substituir a consulta de um médico. Não devem ser tomadas quaisquer medidas antes de consultar um profissional de saúde

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